PELA CREDIBILIDADE NO PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA – ENTIDADES
A CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores em seus 32 anos de história em defesa das comunidades sempre jogou papel importante na construção de conquistas de polÃticas públicas e nas manifestações em defesa dos interesses das comunidades e da sociedade brasileira.
Com a eleição dos Governos Lula e Dilma conseguimos estabelecer um forte dialogo nas questões urbanas, com a construção e implementação de polÃticas publicas de desenvolvimento urbano, construção e consolidação do Ministério das Cidades e de instancias de participação como o Conselho das Cidades e as Conferências das Cidades.
Atualmente, porém, sentimos uma enorme dificuldade diante das amarras burocráticas colocadas nos projetos de habitação de interesse social pelo Ministério das Cidades e pela Caixa Econômica Federal, principalmente no Programa Minha Casa Minha Vida Entidades com as freqüentes “limitações” impostas à s entidades do movimento popular no que se refere ao desenvolvimento dos projetos.
Enfrentamos, ainda, a demora na avaliação dos nossos projetos em órgãos ambientais e governos municipais, sem falar na interferência dos demais órgãos de fiscalização das relações na sociedade, que são necessários, mas por vezes extrapolam seu “poder” e emperram projetos sociais fundamentais para a consolidação da cidadania plena.
Num governo democrático e popular, proposto a implantar mudança de paradigmas, não é mais possÃvel que polÃticas públicas e ações combinadas anteriormente com o movimento sejam abruptamente suspensas pelo Ministério das Cidades ou Caixa Econômica Federal. Essas decisões são vistas como manobras e causam descrédito no trabalho que construÃmos ao longo desses anos e abre espaço para o que tem de pior na polÃtica: a falta de compromisso com a execução dos projetos.
Temos exposto nas mesas de diálogo nossas preocupações e resgatamos os pactos estabelecidos anteriormente, mas na vida real pouco temos avançado. Observamos um substancial retrocesso sobre o que já havÃamos pactuado, inclusive com a Presidenta Dilma. Quando fazemos o programa deslanchar somos “penalizados” com alterações arbitrárias, por falta de planejamento do próprio governo. O número de projetos que estão na Caixa comprovam que apostamos fortemente no Minha Casa Minha Vida Entidades e, agora, somos “avisados” que não existem recursos suficientes para efetivarmos o que já havÃamos pactuado e vÃnhamos encaminhando.
Estamos recebendo o rótulo de desorganização das nossas entidades, com um acúmulo de desgaste jamais visto. Olhando o passado recente, já sofremos isso com o PCS, o FNHIS, o MCMV-E I e neste episódio da compra antecipada do MCMV-E II, quando parecia que superarÃamos os traumas, novamente a história se repete. Portanto, é urgente e necessário que o Ministério das Cidades reveja essa posição, minimamente nos casos onde haja contratos firmados com proprietários das áreas – e compradores, no caso, as nossas entidades – propiciando, assim, manter nossa relação de confiança, para que possamos continuar avançando nesse programa que é uma conquista dos movimentos populares e comprovou que tem sim possibilidade concreta de dar certo.
São Paulo, 12 de março de 2014
Confederação Nacional das Associações de Moradores